quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Obie Bermudez - Se Fuera Fácil



Se Fuera Fácil


Dicen que soy fuerte que los amores vienen y van
eso del que el tiempo cura las heridas es mentira es mentira

tu ausencia es como el viento
yo no te veo pero aun te siento
no imaginaba que doliera tanto
y poco a poco me vuelvo loco
si fuera fácil, si fuera tan fácil,
yo no estuviera aquí llorando,
la nube negra ya hubiera despejado,
si fuera fácil, si fuera tan fácil,
estaría deseándote suerte,
no tendría estas ganas de verte,
pero no es tan fácil,

Aun recuerdo tan claro ese día,
cuando te fuiste se me fue la vida,
lo único fácil de mi gran dilema,
es si volviera que fácil fuera

si fuera, fácil si fuera tan fácil,
yo no estuviera aquí llorando,
la nube negra ya hubiera despejado,
si fuera fácil, si fuera tan fácil,
estaría deseándote suerte,
no tendría estas ganas de verte,
pero no es tan fácil.

si fuera, fácil si fuera tan fácil,
yo no estuviera aquí llorando,
la nube negra ya hubiera despejado,
si fuera fácil, si fuera tan fácil,
estaría deseándote suerte,
no tendría estas ganas de verte,
pero no es tan fácil.

Laura Pausini - Yo Canto



Yo Canto ( Io Canto)
Composição: Ricardo Cocciante -Luberti
Versão Espanhola: Frank Andrada
Cantora: Laura Pausini



La niebla que se posa en la mañana
Las piedras de un camino en la colina
El ave que se elevará
El alba que nos llegará
La nieve que se fundira corriendo al mar
La almohada aun caliente guarda vida
Inciertos pasos lentos de una niña
Los pasos de serenidad
La mano que se extenderá
La espera de felicidad por esto y por lo que vendrá

Yo canto
Tranquilamente canto
La voz en fiesta y canto
La banda en fiesta y canto
Corriendo al viento canto
La vida entera canto
La primavera canto
Rezando también canto
Alguien me escuchará
Quiero cantarle
Siempre cantarle

El aroma del café en la cocina
La casa que se llena de alegría
El ascensor que no va
El amor a mi ciudad
La gente que sonreirá son de mi calle
Las ramas que se cruzan hacia el cielo
Un viejo que camina en solitario
El verano que nos dejará
El trigo que madurará
La mano que lo acogerá por esto y por lo que será

Yo canto
Tranquilamente canto
La voz en fiesta y canto
La banda en fiesta y canto
Corriendo al viento canto
La vida entera canto
La primavera y canto
Rezando también canto
Alguien me escuchará
Quiero cantarle
Siempre cantarle
Cantarle

Tranquilamente
La voz en fiesta y canto
La vida entera y canto
Corriendo al viento canto
Yo canto
La vida entera canto
Yo canto alguien me escuchará
Alguien me escuchará
Alguien me escuchará.

Vanessa da Mata - Amado




Amado
Composição: Vanessa da Mata

Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Llamas as Rainhas dos andes

Reportagem interessante sobre a Bolívia e a região andina



Filme que assisti essa semana

Dica de Filme

Gabriel - A Vingança de um Anjo

Filme Futurístico retrata a vinda do Arcanjo Gabriel à terra para trazer de volta a luz à escuridão.

Filme interessante.

Ficção

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O Segredo de Agradar a Deus


Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz – Eclesiastes 9.7.

José Fulano de Tal morreu ontem. Pobre homem! Consciente dos seus deveres, nunca atrasou no relógio de ponto. Jamais perdeu um trem. Era impensável que acelerasse no sinal amarelo. Correto, pagou todas as suas prestações na data exata. Vestiu a mesma camisa até puir o colarinho. Sempre elegeu o candidato que votou. Leu o jornal diariamente. Teve um enterro comedido, sem muita emoção, parecido como a sua existência.

José Fulano de Tal foi assíduo membro de uma igreja. Submeteu-se aos regulamentos e exigências de sua religião - seu maior desejo na vida era agradar a Deus. Trabalhou incansavelmente nos mutirões do bairro. Contribuiu com entidades filantrópicas. Em sua última jornada, os amigos, parentes e curiosos caminharam circunspetos pelas alamedas do cemitério. Despediam-se de um homem que não conseguiu viver.

José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta gostar, mas gostar mesmo, de poesia. No poema, a palavra ganha ritmo para sincronizar-se com o pulsar do universo. E nessa magnífica, porém silenciosa palpitação, ressoa a voz do Divino.

José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta achar tempo para ouvir música. Quando melodia e rima se acasalam, nasce a sublime sonoridade do Paraíso. O Pai Eterno sorri quando seus filhos se aquietam para escutar os artesãos dos salmos, dos noturnos, das toadas, dos réquiens, das cantatas, das óperas, das polcas, do samba, dos hinos, dos recitais, dos corais, do jazz, da bossa-nova.

José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta amar os livros. É prazeroso para Deus, ver os filhos transcendendo para mundos imaginários através da prosa, da narrativa. Os romances dissecam a alma humana, enaltecem a virtude, expõem a crueldade e quando não sofrem censura, descrevem a realidade crua da vida.

José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta transformar cada refeição em um ágape, cada aperto de mão em uma aliança e cada abraço em uma declaração de amor.

José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta deixar-se conduzir por um vento desatento, rumo ao horizonte inatingível; e esperar por um porvir insubstancial. Já que Deus gosta de prados selvagens e de matas sem cercas, viver é arriscar-se. Deus sabe desenhar o arco-íris com as gotas do ribeiro que despenca no precipício. Portanto, só vive quem não teme esvaecer.

José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta gostar de vinho, de doce de leite, de tapioca com manteiga, de filme de amor, de esporte, de meia hora de sono extra no feriado, de bolo de milho, de cafuné, de beijo, de viagem de férias com dois dias sobrando para descansar do descanso.

José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta chamar Deus de Pai ou de Mãe.

Soli Deo Gloria.


Ricardo Gondim

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O que é Igreja Emergente


Afinal de contas, o que é igreja emergente? Tentar definir “igreja emergente” não é uma tarefa fácil. Os contextos em que a definição pode ser lida são muitos, cada um deles com seus desafios. Escrevo esperando não limitar o que a igreja emergente possa vir a ser.Igrejas emergentes são comunidades que praticam o modo de vida de Jesus na cultura brasileira.
Três práticas que caracterizam igrejas emergentes são:


1- Identificação com Jesus.


Igrejas emergentes são cristocêntricas. Basicamente, valorizam-se as palavras e a vida de Jesus descritas nos Evangelhos. Jesus é visto como uma pessoa participante na cultura. Formou uma comunidade deixando o exemplo. Em vez da ênfase na experiência individual com Cristo, o crente é convidado a seguir o exemplo de Jesus incluindo os excluídos, desafiando autoridades políticas e religiosas, e vivendo humildemente em comunidades alternativas. Jesus não quis ser servido, mas servir. Vez após vez Jesus nega receber prestígio, riquezas ou buscar interesse próprio.
O crente é chamado a confrontar a hipocrisia e a ganância de poder e dinheiro dos líderes políticos e religiosos. A boa notícia do evangelho não é tanto que Jesus morreu para perdoar os pecados mas que Deus veio ao mundo e somos todos convidados a participar com ele em uma nova vida na redenção do mundo. A igreja emergente não tem a ver com formas de igreja, mas com a boa notícia do Reino de Deus.

2- Transformação da realidade secular.


Para igrejas emergentes não há divisão entre “santo” (sagrado) e “do mundo” (secular). A contradição na divisão entre coisas “santas” e “do mundo” está no fato de a esfera “do mundo” afirmar um espaço possível sem Deus. Igrejas emergentes reconhecem a Missio Dei – o trabalho de Deus – em lugares ou atividades antes tidos como não espirituais. No pós-modernismo, as pessoas desconstróem dualismos falsos como o natural contra o sobrenatural, corpo contra mente e espírito, ou fé contra razão. A vida é um todo. A vida espiritual não está desassociada da arte, música, economia e política. Assim como Jesus se encarnou e viveu no mundo, o crente é chamado a viver na cultura brasileira. Os crentes não se definem nem são estigmatizados por pertencerem a uma sub-cultura cristã (evangélica, católica, ou outra), mas participam natural e ativamente na cultura brasileira.

3- Vida em comunidade.

Jesus não escreveu livros, mas criou uma comunidade pequena. A trindade é uma comunidade. Os relacionamentos são enfatizados. Igrejas emergentes desafiam a prioridade do indivíduo. O Reino de Deus é demonstrado na prática na vida da comunidade e o culto passa a ter menos importância.
Igrejas emergentes vêem o Reino praticamente como uma desconstrução das práticas de igreja comuns hoje. Para elas do Reino deriva a igreja, e não o contrário. Igrejas emergentes são mais como famílias do que como instituições. São comunidades descentralizadas. São mais pessoas do que lugares. São mais comunidades do que cultos. Contudo, pessoas prestam contas de uma forma ou de outra a outras pessoas. Não gostam muito de programas e ministérios, mas suas atividades nascem espontaneamente dos valores e estilos de vida entre os amigos. Em vez de a igreja ensinar como indivíduos podem “se dar bem” aplicando a Lei de Gérson, pessoas são desafiadas a conviverem e cooperarem em codependência. Nestas comunidades os mais fracos e vulneráveis são acolhidos, incluídos, recebidos.

Dessas três práticas derivam outras:

1-Recebendo os de fora (isto é, os excluídos, os diferentes, o estranho). Jesus constantemente incluiu os excluídos do seu tempo. Não era mais preciso seguir regras de conduta para estar dentro ou fora da comunidade de Jesus. Os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos são convidados. Igrejas emergentes deliberadamente buscam incluir os que são “diferentes”. Evangelismo, portanto, é repensado; deixa de ser proselitista para humildemente caminhar, demonstrar e conviver com o “outro”. Em vez de arrogantes são transparentes e humildes. Em vez de todos procurarem ser chefes, procuram ser servos. Jesus é visto no outro e na outra. Jesus é visto nos injustiçados e esquecidos da sociedade. Ao longo da caminhada mantém-se o respeito ao “outro”.


2- Servindo com generosidade. Em vez da Grande Omissão, a Grande Comissão: ide. Assim como Jesus não veio ser servido mas servir, assim também a igreja é convidada a servir. Isto inclui desde os desafios do bairro onde está a comunidade até os desafios globais. Igrejas emergentes evitam ver o serviço como um pé na porta para evangelização. Serviço é uma expressão do amor de Cristo. O dízimo não é para a igreja mas da igreja. Finalmente, o serviço não acontece necessariamente na igreja, mas pessoas podem servir através de suas vocações ou profissões.


3- Participando como produtores. Criando com arte. Todos podem participar na redenção do mundo. No culto, por exemplo, trazemos todo o nosso ser a Deus. Trazemos nosso mundo, nossa realidade, incluindo nossas dúvidas e nossos fracassos. O culto é celebração criativa, mas não é um escape da vida e da realidade. Em vez de consumidoras de culto, pessoas participam como produtoras. Todos são convidados a criarem arte no culto, pois de outra forma o culto tende a tornar-se elitista. A arte e a cultura são importantes na liturgia. O meio é a mensagem. A utilização de elementos e símbolos da cultura popular brasileira são muito importantes.


4- Liderando como corpo. Não há patriarcas no Reino. Jesus é a cabeça da comunidade. A natureza do Reino de Deus nos leva a reexaminar todos os conceitos de poder. A modernização da igreja acabou gerando uma liderança associada a poder, controle, coerção e submissão à autoridade. Nas igrejas emergentes, busca-se um modelo de liderança que utiliza mais a sugestão e o exemplo do que o poder. Ao invés de hierarquias, redes. Ao invés da visão do líder, a visão de todos. Ao invés de cargo, considera-se influência, exemplo e histórico. Em vez de “mediarem Deus”, líderes ajudam todos em seus ministérios. Em vez de métodos centralizados e de controle, métodos relacionais e descentralizados. Em vez de gerentes, preferem-se conselheiros e visionários. Em vez de líderes carismáticos, líderes participantes. Em vez do líder de sucesso, o líder humilde. Em vez do senhor de engenho, o escravo de Cristo. Em vez de discursos, demonstração por exemplo. No Reino são os servos que decidem, e não a elite poderosa. Dá-se voz aos que não têm voz. Bons líderes emergentes buscam genuinamente o bem de todos e não o de alguns poucos.
Gustavo (K-fé)


Extraído do Pavablog

O paradigma do ministério pastoral


O ministério pastoral pressupõe chamamento, vocação, preparo – é preciso que o obreiro seja provado e aprovado para Cristo e por meio dele

Um pastor de uma importante denominação evangélica fora “demitido” de sua igreja, sob a alegação de que não conseguira atingir a meta financeira anual. Ele pensava em ingressar na Justiça do Trabalho exigindo seus direitos, porque julgava-se prejudicado pela denominação. Casos assim repetem-se em todos os cantos. Que caminhos conduziram parte da comunidade evangélica a uma vivência ministerial mercantilista da fé cristã? Existe um suporte ideológico que possa legitimar essas práticas? A resposta não é fácil, mas podemos conjecturar alguns pressuspostos.

O pragmatismo surgiu nos Estados Unidos através de seu maior divulgador e um de seus maiores mentores, Wiliam James. A princípio, o movimento influenciou o comercio e a indústria; passou depois às instituições de ensino, e por fim atingiu a teologia. Sociologicamente, ele aparece em meio a transformações culturais e industriais. Em princípio do século 19 e no início 20, a sociedade americana encontrava-se num crescente êxodo rural. O processo de urganização transformou uma economia agrária em industrial. O pragmatismo caiu como uma luva neste novo ambiente, que exigia uma nova forma de ver e fazer as coisas. O resultado é que passou a ditar a nova ótica de uma sociedade ávida por realização.

Até então, a vida, a natureza e a práxis teológica estavam centradas nos fundamentos ortodoxos doutrinários. A preocupação básica era com a filosofia teológica: seus fundamentos, sua hermêneutica, seus dilemas, seus paradoxos, sua base – se era bíblica ou não – etc. No Brasil, as instituições teológicas receberam a influência de missionários e pensadores europeus e americanos. Eles trouxeram a sua bagagem cultural e pregaram-na como um “absoluto teológico”, sem o discernimento e a devida compreensão do que estava a ser ministrado às igrejas e instituições teológicas, que, por sua vez, adotaram-na como uma verdade inquestionável. Afinal, questionar não faz parte da maioria do vocabulário evangélico brasileiro; o pensamento crítico soa como um subversão, rebeldia ou coisa do gênero.

Sou de certa forma nostálgico com a vivência pastoral dos pioneiros evangélicos que desbravaram esse imenso país: eram homens de caráter sério, de vida de oração constante, de piedade exemplar, de modéstia e simplicidade evidentes. Quando lemos as histórias dos pioneiros das várias denominações, é impossível não nos sentirmos desafiados a uma vida mais santa. Contudo, a tônica da liderança atual está centrada no que se pode denominar de teologia de mercado, ou seja, seus resultados. Não importam os meios; o que é fundamental é o número de pessoas que enchem os templos. Nesse frenesi por resultados, pouco importa a moral dos fiéis; é por essa razão que ser evangélico já não causa mais impacto na sociedade: pastores divorciam-se e continuam no ministério, escândalos financeiros já não escandalizam ninguém, evangélicas já posam em revistas masculinas.

Igrejas há que não questionam seus candidatos a cargoss eletivos acerca de sua prática devocional, integridade pessoal e familiar, idoneidade como cidadão e outros aspectos que eram valorizados noutros tempos. O talento suplantou a obediência e a santidade; já não se avalia um clérigo pelo que ele é, e sim pelo que realiza. O fruto disso está aí: líderes bem sucedidos numericamente, porém derrotados em sua vivência pessoal, cheios de síndromes megalomaníacas.

A América Latina é pródiga em suscitar líderes com caráter feudal. E esta cultura se reflete em muitas denominações evangélicas. O autoritarismo é reproduzido nos sistemas eclesiásticos, surgindo figuras os “ungidos”, os “apóstolos” ou os homens “da visão de Deus”. Some-se a isso a pobreza teológica de muitos segmentos e teremos lideranças pífias, pastores que não sabem fazer uma exegese do texto sagrado, são incapazes de ministrar mensagens expositivas – geralmente, pregam-se mensagens tópicas, que são mais fáceis de elaborar e não exigem trabalho metódico de estudo, pesquisa, análise e reflexão.

Um povo evangélico sem cultura teológica é um povo facilmente influenciado, manipulado e dominado. E quais são as evidências de um líder evangélico feudal? Há alguns indícios exteriores que ajudam a perceber o comportamento da maioria deles. Liderança absoluta, por exemplo – este tipo de dirigente não abre mão de possuir todo o controle. Ele também age como detentor do poder absoluto, não permitindo questionamento. Além disso, o líder feudal vê nos membros da igreja pessoas que devem servi-lo, e não o contrário; por fim, há um sinal muito evidente que demonstra o clímax desse feudalismo religioso: a liderança da igreja é exercida num sistema de sucessão familiar, com perpetuação de uma dinastia personificada na família do líder. É interessante observar que até mesmo denominações históricas têm se vergado a esse tipo de liderança, geralmente exercido por pessoas muito carismáticas.

Por outro lado, hoje em dia, o pastor já não é avaliado pela natureza do seu chamado, pelo que ele é como cristão e servo de Deus. Pouco importa para algumas igrejas o que as Escrituras têm a dizer sobre o ministério pastoral. Importa o que ele pode produzir em termos de crescimento numérico. Mas em nenhum lugar da Palavra de Deus encontramos textos associando o crescimento da igreja em termos de números ao caráter do obreiro. Paulo disse que o crescimento da obra vem do Senhor. Afinal, o novo nascimento é uma experiência transcendente, puramente espiritual, que não pode ser mensurada por avaliação humana; somente o Pai Celeste sabe os que são seus e que o servem de coração.

A centralidade da mensagem cristã precisa voltar-se para Cristo. Em alguns círculos evangélicos, a mensagem é antropocêntrica, voltada para os desejos da natureza humana; em outras comunidades, destacam-se os paradigmas de natureza filosófica. Isaltino Coelho diz que há pastores que conhecem mais a respeito de Nietzsche e Platão do que a respeito de Jesus Cristo. A mensagem que pregamos é esta: “Jesus Cristo crucificado”, conforme disse Paulo. O ministério pastoral pressupõe chamamento, vocação, preparo – é preciso que o obreiro seja provado e aprovado para Cristo e por meio dele.

Um ministro tem uma ferramenta de trabalho, a Bíblia; o que o bisturi é para o médico, são as Escrituras para o pastor. E ele deve fazer conforme a recomendação do apóstolo: “Pregar a Palavra”, e somente a Palavra.

Josenaldo Silva
Igreja Batista de Sete Rios, em Lisboa, Portugal
Publicado na Revista Eclésia Edição Outubro de 2008

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Menestrel - Roberto Diamanso

Pseudo-pentecostais: nem evangélicos, nem protestantes


Um grande equívoco cometido pelos sociólogos da religião é o de por sob a mesma rubrica de “pentecostalismo” dois fenômenos distintos. De um lado, o pentecostalismo propriamente dito, tipificado, no Brasil, pelas Assembléias de Deus; e do outro, o impropriamente denominado “neopentecostalismo”, melhor tipificado pela Igreja Universal do Reino de Deus. Um estudioso propôs denominar essas últimas de pós-pentecostais: um fenômeno que se seguiu a outro, mas que com ele não se conecta, pois “neo” se refere a uma manifestação nova de algo já existente. Correntes de sociologia argentina já os denominaram de “iso-pentecostalismo”: algo que parece, mas não é. Lucidez e coragem teve Washington Franco, em sua dissertação de mestrado na Universidade Federal de Alagoas, quando classificou o fenômeno representando pela IURD de “pseudo-pentecostalismo”: algo que não é. Um estudo acurado dos tipos ideais, Assembléia de Deus e Igreja Universal do Reino de Deus, sob uma ótica sociológica, ou uma ótica teológica, nos levará à conclusão que se trata de duas manifestações religiosas diversas, que não podem -- nem devem -- ser colocadas sob uma mesma classificação. Ao se somar, a partir do Censo Religioso, esses dois agrupamentos, tem-se um alto índice de “pentecostais”, constituídos, contudo, pelos que o são e pelos que não o são. Equiparar ambos os fenômenos não faz justiça à Igreja Universal e ofende a Assembléia de Deus.

Podemos afirmar, ainda, um segundo equívoco dos analistas: considerar a IURD e suas congêneres como “evangélicas”. Elas próprias, por muito tempo, relutaram em se ver como tal, pretendendo ser tidas como um fenômeno religioso distinto, e terminaram por aceitar a classificação “evangélica” por uma estratégia política de hegemonizar um segmento religioso mais amplo no cenário do Estado e da sociedade civil. O evangelicalismo é marcado pela credalidade histórica e pela ênfase doutrinária reformada na doutrina da expiação dos pecados na cruz e na necessidade de conversão, ou novo nascimento.

Se o pseudo-pentecostalismo não é pentecostalismo, nem, tampouco, evangelicalismo, também não é protestantismo. O discurso e a prática dessa expressão religiosa indicam a inexistência de vínculos ou pontos de contatos com a Reforma Protestante do Século 16: as Escrituras, Cristo, a graça, a fé. Chamar o bispo Macedo de protestante é de fazer tremer o Muro da Reforma, em Genebra, e os ossos de Lutero e Calvino em seus túmulos. Muita gente tem incluído a IURD, e assemelhadas, como pentecostais, evangélicas ou protestantes, para inflar, de forma triunfalista, os números, ou por temor de retaliações legais, ou extralegais, vindas daquelas instituições. Se sociólogos têm denominado manifestações novas na cristandade, como as Testemunhas de Jeová, os Mórmons, ou a Ciência Cristã, como “seitas para-cristãs”, podemos denominar a Igreja Universal e congêneres de “seitas para-protestantes”.

O que se constata, cada vez mais, é que o fenômeno pseudo-pentecostal tem concorrido para uma maior aproximação entre os pentecostais (já tidos como históricos, por sua antigüidade e mobilidade social e cultural) e as igrejas históricas. De um lado, os pentecostais redescobrem o valor da história, de uma confessionalidade e de uma teologia sólida; do outro, os históricos vão flexibilizando (ou ampliando) a sua pneumatologia, reconhecendo a contemporaneidade dos dons do Espírito Santo. O fosso entre pentecostais e pseudo-pentecostais tende a aumentar, não só pela aproximação entre pentecostais e históricos, mas também pela crescente adesão dos pseudo-pentecostais a ensinos e práticas sincréticas, com o catolicismo romano popular e os cultos afro-ameríndios. Quando estudantes de teologia assembleianos, batistas nacionais ou presbiterianos renovados aprendem com teólogos anglicanos (John Stott, J.I. Packer, Michael Greene, Alister McGrath, N.T. Wright), e anglicanos, luteranos ou presbiterianos usam de um louvor mais exuberante e oram por cura e libertação, na expressão de Gramsci, um novo “bloco histórico” vai se formando (retardado pelo extremo fracionamento entre ambos os segmentos), do qual, é claro, não faz parte o pseudo-pentecostalismo. Esse “bloco histórico” em formação, para se consolidar, não apenas deve se conhecer mais mutuamente, somando conceitos e subtraindo preconceitos, mas também responder aos desafios de um pluralismo que inclui a diversidade do catolicismo romano, o pseudo-pentecostalismo, o esoterismo, os sem-religião e um agressivo secularismo, emoldurado pelo relativismo pós-moderno. Isso passa, necessariamente, pelo aprender com a história da igreja -- durante, depois e “antes” da Reforma -- e pela superação de uma iconoclastia que, equivocadamente, equipara o artístico com o idolátrico.

Contamos com estadistas do reino de Deus, com humildade, visão e coragem para consolidar esse bloco?


D. Robinson Cavalcanti - É bispo Anglicano na diocese de Recife-PE

* Artigo Publicado na Revista Ultimato