Guido Mantega fala à BBC
quarta-feira, 17 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
RESILIÊNCIA E ANDRIZOMAI

A professora de pedagogia, surpreendeu a sua classe quando perguntou abruptamente: “Quem sabe o que é resiliência?” Houve, naturalmente, um silêncio e acentuada curiosidade em relação a esse vocábulo aplicado à pedagogia.
É opinião unânime entre intelectuais ser o termo resiliência, não muito usado no Brasil, embora seja comum na Europa e nos Estados Unidos. Houaiss assim define o substantivo resiliência: “propriedade que alguns corpos apresentam a uma deformação elástica; capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças”; o adjetivo resiliente, “saltar para trás, ser impelido, relançado; pelo inglês, ‘resilient’ (1674), elástico; com rápida capacidade de recuperação”. Apresenta, também, a conotação de resistência de materiais na área da Engenharia, Física e Odontologia. Hoje, resiliência é polivalente em diversas áreas, especialmente na Psicologia e Pedagogia, na dimensão da flexibilidade de adaptações, etc..
Estudiosos desenvolveram rigorosa pesquisa com 72 crianças, 42 meninas e 30 meninos, envolvidas em pobreza, baixo peso no nascimento e muitas com pais alcoólatras. Para surpresa dos pesquisadores, nenhuma dessas crianças desenvolveu problemas de aprendizagem ou de comportamento, o que foi considerado, então, sinal de adaptação ou ajustamento. Por tal constatação, as crianças foram consideradas “resilientes”, o que seria igual à “invulnerabilidade às adversidades”.
Praticamente, todas as áreas do saber humano requerem muita resiliência. Imaginar uma professora na sala de aula e, de repente, levanta-se um aluno e se assenta na mesa onde também coloca o seu revólver e diz: “Hoje aqui não há aula!” Semelhante situação é a de um aluno colando numa prova e, quando o professor se aproxima, esse suspende a camisa e lhe mostra uma arma. Somando-se a isso, há, ainda, o baixo salário do professor e a falta de recursos pedagógicos. O professor é obrigado a conviver com o mundo cão de uma sociedade em decadência e suas imprevisibilidades, exigindo mais jogo de cintura dele ou maior capacidade de resiliência.
ANDRIZOMAI: Apesar do encanto neo-acadêmico com o vocábulo resiliência, como diz o Livro Sagrado “nada é novo debaixo do céu”. No ano 55 d.C., o Apóstolo Paulo disse: “Portai-vos varonilmente, fortalecei-vos”, I Coríntios 16:13. Faz-se presente o vocábulo grego ‘andrizomai’, com o sentido inicial de “conduzir-se corajosamente”. Figuradamente, quer dizer: “Parem de agir como criancinhas e comecem a ter atitudes de adultos”. O filósofo Aristóteles usava essa palavra apontando “a coragem que ele descreve como o meio termo entre o temor e a confiança” (Ética a Nicômano). Nos papiros, ‘andrizomai’ era uma exortação: “Portanto, não temam, mas sejam corajosos como homens”.
O Duque de Wellington veio a ser chamado de o “Duque de Ferro”. No forte combate de Waterloo, comandando as forças britânicas contra as de Napoleão, suas tropas estavam a ponto de retroceder, pedindo os seus oficiais autorização para o toque de retirada. O Duque de Ferro respondeu: “Meu plano é simplesmente agüentar firme até ao último homem”. Surpreendentemente, a Batalha de Warteloo foi ganha pelo homem de ferro que não se entregou em momento algum. Isso é resiliência; isso é andrizomai!
Dr. Agnaldo L. do Sacramento
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Obie Bermudez - Se Fuera Fácil
Se Fuera Fácil
Dicen que soy fuerte que los amores vienen y van
eso del que el tiempo cura las heridas es mentira es mentira
tu ausencia es como el viento
yo no te veo pero aun te siento
no imaginaba que doliera tanto
y poco a poco me vuelvo loco
si fuera fácil, si fuera tan fácil,
yo no estuviera aquí llorando,
la nube negra ya hubiera despejado,
si fuera fácil, si fuera tan fácil,
estaría deseándote suerte,
no tendría estas ganas de verte,
pero no es tan fácil,
Aun recuerdo tan claro ese día,
cuando te fuiste se me fue la vida,
lo único fácil de mi gran dilema,
es si volviera que fácil fuera
si fuera, fácil si fuera tan fácil,
yo no estuviera aquí llorando,
la nube negra ya hubiera despejado,
si fuera fácil, si fuera tan fácil,
estaría deseándote suerte,
no tendría estas ganas de verte,
pero no es tan fácil.
si fuera, fácil si fuera tan fácil,
yo no estuviera aquí llorando,
la nube negra ya hubiera despejado,
si fuera fácil, si fuera tan fácil,
estaría deseándote suerte,
no tendría estas ganas de verte,
pero no es tan fácil.
Laura Pausini - Yo Canto
Yo Canto ( Io Canto)
Composição: Ricardo Cocciante -Luberti
Versão Espanhola: Frank Andrada
Cantora: Laura Pausini
La niebla que se posa en la mañana
Las piedras de un camino en la colina
El ave que se elevará
El alba que nos llegará
La nieve que se fundira corriendo al mar
La almohada aun caliente guarda vida
Inciertos pasos lentos de una niña
Los pasos de serenidad
La mano que se extenderá
La espera de felicidad por esto y por lo que vendrá
Yo canto
Tranquilamente canto
La voz en fiesta y canto
La banda en fiesta y canto
Corriendo al viento canto
La vida entera canto
La primavera canto
Rezando también canto
Alguien me escuchará
Quiero cantarle
Siempre cantarle
El aroma del café en la cocina
La casa que se llena de alegría
El ascensor que no va
El amor a mi ciudad
La gente que sonreirá son de mi calle
Las ramas que se cruzan hacia el cielo
Un viejo que camina en solitario
El verano que nos dejará
El trigo que madurará
La mano que lo acogerá por esto y por lo que será
Yo canto
Tranquilamente canto
La voz en fiesta y canto
La banda en fiesta y canto
Corriendo al viento canto
La vida entera canto
La primavera y canto
Rezando también canto
Alguien me escuchará
Quiero cantarle
Siempre cantarle
Cantarle
Tranquilamente
La voz en fiesta y canto
La vida entera y canto
Corriendo al viento canto
Yo canto
La vida entera canto
Yo canto alguien me escuchará
Alguien me escuchará
Alguien me escuchará.
Vanessa da Mata - Amado
Amado
Composição: Vanessa da Mata
Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém
Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus
Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Filme que assisti essa semana
Gabriel - A Vingança de um Anjo
Filme Futurístico retrata a vinda do Arcanjo Gabriel à terra para trazer de volta a luz à escuridão.
Filme interessante.
Ficção
terça-feira, 28 de outubro de 2008
O Segredo de Agradar a Deus
Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz – Eclesiastes 9.7.
José Fulano de Tal morreu ontem. Pobre homem! Consciente dos seus deveres, nunca atrasou no relógio de ponto. Jamais perdeu um trem. Era impensável que acelerasse no sinal amarelo. Correto, pagou todas as suas prestações na data exata. Vestiu a mesma camisa até puir o colarinho. Sempre elegeu o candidato que votou. Leu o jornal diariamente. Teve um enterro comedido, sem muita emoção, parecido como a sua existência.
José Fulano de Tal foi assíduo membro de uma igreja. Submeteu-se aos regulamentos e exigências de sua religião - seu maior desejo na vida era agradar a Deus. Trabalhou incansavelmente nos mutirões do bairro. Contribuiu com entidades filantrópicas. Em sua última jornada, os amigos, parentes e curiosos caminharam circunspetos pelas alamedas do cemitério. Despediam-se de um homem que não conseguiu viver.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta gostar, mas gostar mesmo, de poesia. No poema, a palavra ganha ritmo para sincronizar-se com o pulsar do universo. E nessa magnífica, porém silenciosa palpitação, ressoa a voz do Divino.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta achar tempo para ouvir música. Quando melodia e rima se acasalam, nasce a sublime sonoridade do Paraíso. O Pai Eterno sorri quando seus filhos se aquietam para escutar os artesãos dos salmos, dos noturnos, das toadas, dos réquiens, das cantatas, das óperas, das polcas, do samba, dos hinos, dos recitais, dos corais, do jazz, da bossa-nova.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta amar os livros. É prazeroso para Deus, ver os filhos transcendendo para mundos imaginários através da prosa, da narrativa. Os romances dissecam a alma humana, enaltecem a virtude, expõem a crueldade e quando não sofrem censura, descrevem a realidade crua da vida.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta transformar cada refeição em um ágape, cada aperto de mão em uma aliança e cada abraço em uma declaração de amor.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta deixar-se conduzir por um vento desatento, rumo ao horizonte inatingível; e esperar por um porvir insubstancial. Já que Deus gosta de prados selvagens e de matas sem cercas, viver é arriscar-se. Deus sabe desenhar o arco-íris com as gotas do ribeiro que despenca no precipício. Portanto, só vive quem não teme esvaecer.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta gostar de vinho, de doce de leite, de tapioca com manteiga, de filme de amor, de esporte, de meia hora de sono extra no feriado, de bolo de milho, de cafuné, de beijo, de viagem de férias com dois dias sobrando para descansar do descanso.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta chamar Deus de Pai ou de Mãe.
Soli Deo Gloria.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
O que é Igreja Emergente

Três práticas que caracterizam igrejas emergentes são:
1- Identificação com Jesus.
O crente é chamado a confrontar a hipocrisia e a ganância de poder e dinheiro dos líderes políticos e religiosos. A boa notícia do evangelho não é tanto que Jesus morreu para perdoar os pecados mas que Deus veio ao mundo e somos todos convidados a participar com ele em uma nova vida na redenção do mundo. A igreja emergente não tem a ver com formas de igreja, mas com a boa notícia do Reino de Deus.
Igrejas emergentes vêem o Reino praticamente como uma desconstrução das práticas de igreja comuns hoje. Para elas do Reino deriva a igreja, e não o contrário. Igrejas emergentes são mais como famílias do que como instituições. São comunidades descentralizadas. São mais pessoas do que lugares. São mais comunidades do que cultos. Contudo, pessoas prestam contas de uma forma ou de outra a outras pessoas. Não gostam muito de programas e ministérios, mas suas atividades nascem espontaneamente dos valores e estilos de vida entre os amigos. Em vez de a igreja ensinar como indivíduos podem “se dar bem” aplicando a Lei de Gérson, pessoas são desafiadas a conviverem e cooperarem em codependência. Nestas comunidades os mais fracos e vulneráveis são acolhidos, incluídos, recebidos.
2- Servindo com generosidade. Em vez da Grande Omissão, a Grande Comissão: ide. Assim como Jesus não veio ser servido mas servir, assim também a igreja é convidada a servir. Isto inclui desde os desafios do bairro onde está a comunidade até os desafios globais. Igrejas emergentes evitam ver o serviço como um pé na porta para evangelização. Serviço é uma expressão do amor de Cristo. O dízimo não é para a igreja mas da igreja. Finalmente, o serviço não acontece necessariamente na igreja, mas pessoas podem servir através de suas vocações ou profissões.
3- Participando como produtores. Criando com arte. Todos podem participar na redenção do mundo. No culto, por exemplo, trazemos todo o nosso ser a Deus. Trazemos nosso mundo, nossa realidade, incluindo nossas dúvidas e nossos fracassos. O culto é celebração criativa, mas não é um escape da vida e da realidade. Em vez de consumidoras de culto, pessoas participam como produtoras. Todos são convidados a criarem arte no culto, pois de outra forma o culto tende a tornar-se elitista. A arte e a cultura são importantes na liturgia. O meio é a mensagem. A utilização de elementos e símbolos da cultura popular brasileira são muito importantes.
4- Liderando como corpo. Não há patriarcas no Reino. Jesus é a cabeça da comunidade. A natureza do Reino de Deus nos leva a reexaminar todos os conceitos de poder. A modernização da igreja acabou gerando uma liderança associada a poder, controle, coerção e submissão à autoridade. Nas igrejas emergentes, busca-se um modelo de liderança que utiliza mais a sugestão e o exemplo do que o poder. Ao invés de hierarquias, redes. Ao invés da visão do líder, a visão de todos. Ao invés de cargo, considera-se influência, exemplo e histórico. Em vez de “mediarem Deus”, líderes ajudam todos em seus ministérios. Em vez de métodos centralizados e de controle, métodos relacionais e descentralizados. Em vez de gerentes, preferem-se conselheiros e visionários. Em vez de líderes carismáticos, líderes participantes. Em vez do líder de sucesso, o líder humilde. Em vez do senhor de engenho, o escravo de Cristo. Em vez de discursos, demonstração por exemplo. No Reino são os servos que decidem, e não a elite poderosa. Dá-se voz aos que não têm voz. Bons líderes emergentes buscam genuinamente o bem de todos e não o de alguns poucos.
Gustavo (K-fé)
O paradigma do ministério pastoral

Um pastor de uma importante denominação evangélica fora “demitido” de sua igreja, sob a alegação de que não conseguira atingir a meta financeira anual. Ele pensava em ingressar na Justiça do Trabalho exigindo seus direitos, porque julgava-se prejudicado pela denominação. Casos assim repetem-se em todos os cantos. Que caminhos conduziram parte da comunidade evangélica a uma vivência ministerial mercantilista da fé cristã? Existe um suporte ideológico que possa legitimar essas práticas? A resposta não é fácil, mas podemos conjecturar alguns pressuspostos.
O pragmatismo surgiu nos Estados Unidos através de seu maior divulgador e um de seus maiores mentores, Wiliam James. A princípio, o movimento influenciou o comercio e a indústria; passou depois às instituições de ensino, e por fim atingiu a teologia. Sociologicamente, ele aparece em meio a transformações culturais e industriais. Em princípio do século 19 e no início 20, a sociedade americana encontrava-se num crescente êxodo rural. O processo de urganização transformou uma economia agrária em industrial. O pragmatismo caiu como uma luva neste novo ambiente, que exigia uma nova forma de ver e fazer as coisas. O resultado é que passou a ditar a nova ótica de uma sociedade ávida por realização.
Até então, a vida, a natureza e a práxis teológica estavam centradas nos fundamentos ortodoxos doutrinários. A preocupação básica era com a filosofia teológica: seus fundamentos, sua hermêneutica, seus dilemas, seus paradoxos, sua base – se era bíblica ou não – etc. No Brasil, as instituições teológicas receberam a influência de missionários e pensadores europeus e americanos. Eles trouxeram a sua bagagem cultural e pregaram-na como um “absoluto teológico”, sem o discernimento e a devida compreensão do que estava a ser ministrado às igrejas e instituições teológicas, que, por sua vez, adotaram-na como uma verdade inquestionável. Afinal, questionar não faz parte da maioria do vocabulário evangélico brasileiro; o pensamento crítico soa como um subversão, rebeldia ou coisa do gênero.
Sou de certa forma nostálgico com a vivência pastoral dos pioneiros evangélicos que desbravaram esse imenso país: eram homens de caráter sério, de vida de oração constante, de piedade exemplar, de modéstia e simplicidade evidentes. Quando lemos as histórias dos pioneiros das várias denominações, é impossível não nos sentirmos desafiados a uma vida mais santa. Contudo, a tônica da liderança atual está centrada no que se pode denominar de teologia de mercado, ou seja, seus resultados. Não importam os meios; o que é fundamental é o número de pessoas que enchem os templos. Nesse frenesi por resultados, pouco importa a moral dos fiéis; é por essa razão que ser evangélico já não causa mais impacto na sociedade: pastores divorciam-se e continuam no ministério, escândalos financeiros já não escandalizam ninguém, evangélicas já posam em revistas masculinas.
Igrejas há que não questionam seus candidatos a cargoss eletivos acerca de sua prática devocional, integridade pessoal e familiar, idoneidade como cidadão e outros aspectos que eram valorizados noutros tempos. O talento suplantou a obediência e a santidade; já não se avalia um clérigo pelo que ele é, e sim pelo que realiza. O fruto disso está aí: líderes bem sucedidos numericamente, porém derrotados em sua vivência pessoal, cheios de síndromes megalomaníacas.
A América Latina é pródiga em suscitar líderes com caráter feudal. E esta cultura se reflete em muitas denominações evangélicas. O autoritarismo é reproduzido nos sistemas eclesiásticos, surgindo figuras os “ungidos”, os “apóstolos” ou os homens “da visão de Deus”. Some-se a isso a pobreza teológica de muitos segmentos e teremos lideranças pífias, pastores que não sabem fazer uma exegese do texto sagrado, são incapazes de ministrar mensagens expositivas – geralmente, pregam-se mensagens tópicas, que são mais fáceis de elaborar e não exigem trabalho metódico de estudo, pesquisa, análise e reflexão.
Um povo evangélico sem cultura teológica é um povo facilmente influenciado, manipulado e dominado. E quais são as evidências de um líder evangélico feudal? Há alguns indícios exteriores que ajudam a perceber o comportamento da maioria deles. Liderança absoluta, por exemplo – este tipo de dirigente não abre mão de possuir todo o controle. Ele também age como detentor do poder absoluto, não permitindo questionamento. Além disso, o líder feudal vê nos membros da igreja pessoas que devem servi-lo, e não o contrário; por fim, há um sinal muito evidente que demonstra o clímax desse feudalismo religioso: a liderança da igreja é exercida num sistema de sucessão familiar, com perpetuação de uma dinastia personificada na família do líder. É interessante observar que até mesmo denominações históricas têm se vergado a esse tipo de liderança, geralmente exercido por pessoas muito carismáticas.
Por outro lado, hoje em dia, o pastor já não é avaliado pela natureza do seu chamado, pelo que ele é como cristão e servo de Deus. Pouco importa para algumas igrejas o que as Escrituras têm a dizer sobre o ministério pastoral. Importa o que ele pode produzir em termos de crescimento numérico. Mas em nenhum lugar da Palavra de Deus encontramos textos associando o crescimento da igreja em termos de números ao caráter do obreiro. Paulo disse que o crescimento da obra vem do Senhor. Afinal, o novo nascimento é uma experiência transcendente, puramente espiritual, que não pode ser mensurada por avaliação humana; somente o Pai Celeste sabe os que são seus e que o servem de coração.
A centralidade da mensagem cristã precisa voltar-se para Cristo. Em alguns círculos evangélicos, a mensagem é antropocêntrica, voltada para os desejos da natureza humana; em outras comunidades, destacam-se os paradigmas de natureza filosófica. Isaltino Coelho diz que há pastores que conhecem mais a respeito de Nietzsche e Platão do que a respeito de Jesus Cristo. A mensagem que pregamos é esta: “Jesus Cristo crucificado”, conforme disse Paulo. O ministério pastoral pressupõe chamamento, vocação, preparo – é preciso que o obreiro seja provado e aprovado para Cristo e por meio dele.
Um ministro tem uma ferramenta de trabalho, a Bíblia; o que o bisturi é para o médico, são as Escrituras para o pastor. E ele deve fazer conforme a recomendação do apóstolo: “Pregar a Palavra”, e somente a Palavra.
Josenaldo Silva
Igreja Batista de Sete Rios, em Lisboa, Portugal






