Não posso parar de aprender. É o aprendizado constante que me faz vibrante, ativo, entusiasmado. É preciso buscar sempre novas coisas, desafiar limites, expandir, caminhar para frente, desenvolver.
Deus me fez assim: inteligente, pensante, criativo, apto para exceder, inspirado para triunfar, ávido para descobrir, capacitado a renovar e pronto para recomeçar sempre que preciso.
Para transformar e ser transformado, para agenciar mudanças e ser mudado, para romper com velhos paradígmas e aceitar o novo.
Para experimentar a agradável, boa e perfeita vontade de Deus sou exortado a não me conformar com o mundo, mas a transformar a mim mesmo pela renovação de minha mente.
Convicções que eram baluartes foram substituídas por outras num processo de metamorfose que provocou em mim muito desconforto, insegurança e renúncia. Para melhor.
Nestes processos de metamorfose, descobri que “as verdades” que cria eram de fato o absoluto de tradições humanas que um dia aceitei, sem questionamento, porque era criança. Todavia, na medida que cresci, digo, comecei a pensar, abrí-me para o novo da Revelação da Palavra, e reputei-as como mitos.
Ainda hoje admito que nem tudo o que creio é Verdade infalível da Palavra de Deus. Assuntos escatológicos, por exemplo, alimentados pela fantasia desta geração “deixados para trás” não me convencem nem um pouco. Fico aqui muitas vezes perguntando como as contradições, e as questões não respondidas, e as datas marcadas, esta miscelânia dispensacionalista deste escapismo horroroso podem estar baseados na Palavra de Deus!
Aqui corro o risco de ser tido como herético, cético, inimigo do arrebatamento, etc. Não me importo, já que decidi ser livre para procurar a Verdade, e assim sendo, questionar todas as confissões de fé, as vacas sagradas e os paradígmas ao meu redor.
Decidi não me conformar com este mundo - o que não é Reino de Deus. Nas esferas da criação existem o mundo e o Reino de Deus. Um dia os reinos deste mundo se tornarão o Reino de Deus e de Seu Ungido, mas no momento este é distinto daquele.
Vivo constantemente desafiado por Jesus a não viver segundo o mundo, porque “o mundo passa e as suas concupiscências, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.”
Decidi transformar a mim mesmo pela renovação da minha mente. Sou então incomodado a pensar diferente, a questionar “os absolutos da fé e da doutrina.” Sou motivado a repensar a teologia, sem medo de perder a Fé, porque a minha fé não é credo, uma confissão de Fé, mas confiança absoluta numa Pessoa, que é Jesus de Nazaré, o Filho de Deus. Posso até perder a doutrina mas não perco o Evangelho. Posso rejeitar as declarações de fé e os credos sem rejeitar a Palavra que Deus exaltou até sobre Seu próprio Nome. O Evangelho, a Palavra, é uma Pessoa!
Não preciso simplesmente aceitar o que me dizem, principalmente se tem sido ensinado pela maioria dos pregadores. Verdade não é verdade porque a maioria resolveu interpretar como verdade. Porque se petrificou como verdade ou convencionou-se a chamar de verdade. As religiões mais fanáticas na terra são alimentadas por fundamentalismos que não podem jamais ser questionados, contraditados e nem sofrerem qualquer oposição sob risco de vida.
“Entendes tu o que lês?,” ainda é a pergunta de Filipe a todos que estão viajando na carruagem da vida. “Examinai tudo” ainda é a exortação de Paulo a todos os que tiveram a coragem de parar a carruagem para buscar respostas para os mistérios do Evangelho.
Decidi que vou crer somente naquilo que entendo. A Fé não é cega, irracional, “um salto no escuro”, porque a Fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus.
Decidi que continuarei confiando na Pessoa de Jesus mesmo não entendendo ainda muito, mesmo não tendo respostas para tudo, mesmo tendo que às vezes engulir em seco minhas dúvidas.
Neste exercício contínuo é tão bom reconhecer minha humanidade com todas as suas contradições, é tão bom saber que não sei tudo, que não posso tudo, que sou fraco como devo ser, sendo levado a este sentimento gostoso de dependência de Deus.
Decidi questionar, pensar e racionalizar até mesmo o que Deus me diz. Como uma criança questiona o Pai o que não entende. Porque o Pai ama dialogar com Seus filhos, se satisfaz em contemplar a inteligência deles, aquela medida de coragem e ousadia que têm em perguntar tudo o que querem, pois só assim experimentam a descoberta do que não sabem.
“Invoca-Me e Te responderei, anunciar-Te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes.”. Resolvi, então, perguntar tudo o que quero e a descrer do que não entendo sem me sentir culpado.
Josimar Salum
Quinta-feira, 22 de Maio de 2008
Coragem Para ser Transformado
Te Devoro - Djavan

Te Devoro
Composição: Djavan
Teus sinais
Me confundem
Da cabeça aos pés
Mas por dentro
Eu te devoro
Teu olhar
Não me diz exato
Quem tu és
Mesmo assim
Eu te devoro...
Te devoraria
A qualquer preço
Porque te ignoro
Te conheço
Quando chove ou
quando faz frio
Noutro plano
Te devoraria
Tal Caetano
A Leonardo di Caprio...
É um milagre
Tudo que Deus criou
Pensando em você
Fez a Via-Láctea
Fez os dinossauros
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu
Sem contar os dias
Que me faz morrer
Sem saber de ti
Jogado à solidão
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida
Não! Não!
Eu quero mesmo é viver
Prá esperar, esperar
Devorar você...(2x)
Meu viver
É esperar você!
Grand' Hotel´- Kid Abelha

Grand' Hotel
Composição: George Israel/Paula Toller
Se a gente não tivesse feito tanta coisa
Se não tivesse dito tanta coisa
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor grand' hotel
Se a gente não dissesse tudo tão depressa
Se não fizesse tudo tão depressa
Se não tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor
Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "bom dia"
Qual o segredo da felicidade
Será preciso ficar só pra se viver
Qual o sentido da realidade
Será preciso ficar só pra se viver
Se a gente não dissesse tudo tão depressa
Se não fizesse tudo tão depressa
Se não tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor
Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "bom dia"
Qual o segredo da felicidade
Será preciso ficar só pra se viver
Qual o sentido da realidade
Será preciso ficar só pra se viver
Só pra se viver x3
Ficar só x2
Caminho das Águas - Maria Rita

Caminho das Águas
Maria Rita
Composição: Rodrigo Maranhão
Leva no teu bumbar
Me leva
Leva que quero ver meu pai
Caminho bordado à fé
Caminho das águas
Me leva que quero ver
Meu pai...
A barca segue seu rumo lenta
Como quem já não
Quer mais chegar
Como quem se acostumou
No canto das águas
Como quem já não
Quer mais voltar...
Os olhos da morena bonita
Agüenta que tô chegando já
Na roda conta com o seu
Ouvir a zabumba
Me leva que quero ver
Meu pai...
Leva no teu bumbar
Me leva
Leva que quero ver meu pai
Caminho bordado à fé
Caminho das águas
Me leva que quero ver
Meu pai...
A barca segue seu rumo lenta
Como quem já não
Quer mais chegar
Como quem se acostumou
No canto das águas
Como quem já não
Quer mais voltar...
Os olhos da morena bonita
Agüenta que tô chegando já
Na roda conta com o seu
Ouvir a zabumba
Me leva que quero ver
Meu pai...
Leva no teu bumbar
Me leva
Leva que quero ver meu pai
Caminho bordado à fé
Caminho das águas
Me leva que quero ver
Meu pai...
Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
Orgulho e Preconceito

Um dos prazeres de pais cristãos é ensinar seus filhos pequenos a cantar musicas cujas mensagens imprimam em suas mentes conceitos que mais tarde serão necessários em suas vidas. Eu gostava de esgoelar com os meus: “Meu coração era sujo”, “O sabão lava meu rostinho”, e, claro, não podia faltar, “Cuidado, olhinho, o que vê/ o Salvador do céu está olhando pra você...”
Recentemente comecei a me deixar assustar por fantasmas, não sei se fruto dos anos ou das circunstâncias. Na jornada da vida, as críticas, as altas expectativas e os baixos níveis de compromisso me deixaram atada a amarguras, feridas e lepras. Os fantasmas dos irmãos que não perdoei me atormentam, cutucam, me visitam nas noites insones, me tiram a paz e me azedam o suco gástrico, causando dor física. Até agora nunca tinha me prendido a nada assim. Caminhei até aqui numa jornada de perdão constante, quase alienado, que se re-expunha, se re-feria inúmeras vezes, mas continuava presente. Devo dizer que esta vida “delirante” do perdão é mais feliz do que a vida “racional” da amargura.
Como diz Derrida, o perdão que exige troca social (o outro se arrepende, portanto eu posso perdoá-lo) não pode ser chamado de perdão. O perdão de pés no chão, que se precavê, que reforça defesas, que cobra arrependimentos, é um mecanismo social humano, nada mais. O perdão divino e verdadeiro, o único que merece esse título é aquele incondicional, excepcional e extravagante. Perdôo porque sim. Perdôo total e completamente, sem cobranças e sem resquícios. Perdôo porque as pessoas não mudaram e não merecem ser perdoadas. Aliás, o perdão não tem objeto, basta-se a si mesmo. Enquanto eu não entendi isso, sofri interiormente por alguns meses na mansão assombrada da família Adams.
Dias atrás minha colega Carol veio me visitar. Amiga de muitos anos, risada alta, Carol chegou sem sorrir, fixou em mim seus olhos azuis e disse, tirando da testa a mecha grisalha para que eu visse, sem duvidar, a centelha que eles queriam me passar: “Bráulia, estava orando por você e Deus me disse que ele está te vendo.” Conversamos um pouco mais e ela se foi.
Deus me vê! Saí da sala me sentindo a heroína do romance de Jane Austen, observada à distância por Mr. Darcy, sabendo reconhecida por ele a beleza, adivinhadas as curvas nas muitas pregas do vestido, os lindos seios num decote que revela o colo e nada mais. Ainda consigo seduzi-lo. Sou a noiva, a esperada. Julgava-me a preterida, a escrava; no entanto o Rei me vê como imaculada, a noiva desejável. Ele me vê.
Aquela noiva da “Valsinha”1, sobre quem um dia escrevi com esperança, fez sentido outra vez. A igreja soterrada de paradoxos sociais, enredada em seus orgulhos e preconceitos, apagada na burca de sua ignorância, se ergue novamente, remexe no armário e reencontra suas vestes de festa.
Os olhos dele não me vigiam para me acusar, me perscrutar ou me envergonhar. Eles não me desnudam impudicos como os olhos dos homens sentados em um bar fazem com as distraídas que passam. Eles não me consomem em demanda egoísta de prazer pessoal, se é que a metáfora ainda cabe. Eles me vêem inteira, com bondade e respeito, me vêem como o cavalheiro inglês, antevendo-me a minha beleza sublime, para mostrar-se forte.
Mesmo me achando questionadora, comprei, sem perceber, a coerção moral infantil através do conceito do Deus amedrontador. Comprei para mim e vendi a meus filhos a idéia de olhos que vigiam, cobram e julgam. Mas a imagem principal de nosso noivo não é esta. São seus olhos que embelezam a noiva com seu perdão excepcional, esquizofrênico e divino. É ele que a embeleza, não ela a si. A idéia prevalecente na Palavra sobre ele é de embevecimento, carinho, auto-sacrifício, misericórdia e benignidade. A religião o transforma em juiz. Sentir seus olhos sobre mim (Sl 33.18; 34.15; 2Cr 16.9) me revelou novamente seu amor. E à luz deste amor caminho devagar para fora da mansão das sombras das amarguras e desesperanças.
Nota
1. Ultimato n° 281, Março-Abril 2003.
• Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, é autora de Chamado Radical (Editora Ultimato).Presidente Naciocal de Jovens Com Uma Missão (Jocum)
Artigo Publicado na Ultimato Edição: Maio-Junho 2008
Conhecê-lo para Anunciá-lo

Por quê é necessário conhecer para anunciar?
Por motivos óbvios, em primeiro lugar, não dá para, com um mínimo de propriedade, falar sobre alguém, sem, em alguma medida, conhecê-lo.
Porém, no caso de Jesus Cristo, há uma agravante: o conhecê-lo estabelece a diferença entre a vida e a morte.
E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. (Jo 17.3).
Conhecer Jesus é ter vida eterna. Não conhecê-lo...
O que é conhecer Jesus?
Vamos, primeiro, ver o que conhecer Jesus, não é
Jo 9.
15 Então, os fariseus, por sua vez, lhe perguntaram como chegara a ver; ao que lhes respondeu: Aplicou lodo aos meus olhos, lavei-me e estou vendo.
16 Por isso, alguns dos fariseus diziam: Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tamanhos sinais? E houve dissensão entre eles.
17 De novo, perguntaram ao cego: Que dizes tu a respeito dele, visto que te abriu os olhos? Que é profeta, respondeu ele.
18 Não acreditaram os judeus que ele fora cego e que agora via, enquanto não lhe chamaram os pais
19 e os interrogaram: É este o vosso filho, de quem dizeis que nasceu cego? Como, pois, vê agora?
20 Então, os pais responderam: Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego;
21 mas não sabemos como vê agora; ou quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Perguntai a ele, idade tem; falará de si mesmo.
22 Isto disseram seus pais porque estavam com medo dos judeus; pois estes já haviam assentado que, se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga.
23 Por isso, é que disseram os pais: Ele idade tem, interrogai -o.
24 Então, chamaram, pela segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.
25 Ele retrucou: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo.
26 Perguntaram-lhe, pois: Que te fez ele? como te abriu os olhos?
27 Ele lhes respondeu: Já vo-lo disse, e não atendestes; por que quereis ouvir outra vez? Porventura, quereis vós também tornar-vos seus discípulos?
28 Então, o injuriaram e lhe disseram: Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés.
29 Sabemos que Deus falou a Moisés; mas este nem sabemos donde é.
30 Respondeu-lhes o homem: Nisto é de estranhar que vós não saibais donde ele é, e, contudo, me abriu os olhos.
31 Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende.
32 Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
33 Se este homem não fosse de Deus, nada poderia ter feito.
34 Mas eles retrucaram: Tu és nascido todo em pecado e nos ensinas a nós? E o expulsaram.
35 Ouvindo Jesus que o tinham expulsado, encontrando -o, lhe perguntou: Crês tu no Filho do Homem?
36 Ele respondeu e disse: Quem é, Senhor, para que eu nele creia?
37 E Jesus lhe disse: Já o tens visto, e é o que fala contigo.
38 Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou.
O jovem cego de nascença havia sido curado por Jesus, mas, não o havia visto, uma vez que sua cura se manifestar a no tanque de Siloé, quando, em obediência, lavara o rosto, conforme prescreveu-lhe Cristo.
Daí porque podia contar o que lhe aconteceu, como aconteceu, mas, sobre o seu benfeitor, o máximo que poderia dizer é que era profeta, por causa da portentosidade de seu feito. Para poder declarar que Jesus era o Filho do Homem, que, na sua teologia, significava acreditar que ele era o messias, teve de ter um encontro com Jesus, onde este se apresenta como tal.
Conhecer Jesus não é receber uma benção dele.
Outro texto que corrobora isso é Mt. 16.
[13] Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?
Jesus tratou muito bem o povo: a ele pregou, alimentou, curou, devolveu muitos dos seus mortos. Foi com o povo que andou e que se confundiu.
A pergunta era, portanto, uma aferição: será que as bençãos ministradas ao povo geraram a compreensão de quem Jesus era?
[14] E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas.
Não se assuste, aqui não tem nada de reencarnação. É que os judeus classificavam um profeta comparando-o com os que o antecederam; era uma espécie de “ranking” de profetas. Colocaram Jesus de Nazaré no primeiro time.
Curioso, ter o povo comparado Jesus com profetas conhecidos pela força de sua palavra e pelo ultimato de seu apelo. Dá para pensar que a mensagem de Cristo não era tão adocicada como muitos pregadores a querem fazer parecer.
A resposta, entretanto, deixou a desejar, conseguiram ver em Jesus um grande profeta, catalogaram-no entre os maiores, porém, não acertaram.
O que ratifica nossa conclusão: receber bençãos, ainda que miraculosas, de Jesus Cristo, não é o mesmo que conhecê-lo.
Continuemos no texto:
[15] Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?
Outra aferição, esta, mais importante: os discípulos conviveram com Jesus, será que acertariam?
[16] Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. [17] Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.
Esta resposta tem duas partes:
“Tu és o Cristo”, o messias, o salvador vislumbrado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas. Certo, porém, incompleto, se parasse por aí: todos criam que o messias seria o maior dos profetas (Dt 18.15), entretanto, um profeta. Pedro, então, teria ido apenas um pouco mais adiante que o povo.
“O filho do Deus vivo”... ele vai mais longe... Revolucionário!
Os teólogos, de então, diziam que Deus era único, logo, não podia ter filho. Por que? Porque se Deus tivesse um filho, este teria de ser um Deus também, então, já não seria um único Deus, mas, dois deuses. Eles não conheciam a doutrina da Trindade, não sabiam que há três pessoas e um só Deus. Pedro disse-o: Jesus de Nazaré é o Cristo e o Cristo é Deus. Resposta completa!
E por que acertou? Porque recebeu uma revelação!
Conhecer Jesus é ter uma revelação sobre quem ele é: Deus Salvador. E essa revelação só o pai dá.
Como disse Jesus: Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer ; e eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6.44).
Esse “conhecer” não é mero acúmulo de informação, mas, o ter uma experiência com Deus, pois, “este conhecimento (...) envolve um relacionamento pessoal. O Pai e o Filho se conhecem em amor mútuo, e através do conhecimento de Deus as pessoas são admitidas ao mistério desse amor divino, amando a Deus, sendo amadas por ele e, em resposta, amando umas às outras.”[1]
Sem esse conhecimento, o anúncio de Jesus fica, para dizer o mínimo, incompleto; colocando em risco não só o evangelho, pela mediocrização do mesmo, como o destino de quem recebe esse anúncio, quando chegar o dia da ressurreição.
A alguns, naquele dia, Jesus dirá: Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade (Mt 7.23).
É preciso conhecê-lo para anunciá-lo, de maneira tal que o receptor do anúncio possa realmente ser salvo.
Como a gente sabe se tem esse conhecimento?
Deixe-me contar-lhe a cena de um filme que tem a ver com a afirmação de Pedro: tu é os Cristo, o Filho do Deus vivo:
Franco Zefirelli, cineasta italiano, fez o filme Jesus, que chamou de seu afresco. O filme, originariamente, apresentado em duas partes, tinha, como término de sua primeira parte, cena que procurava retratar o texto que estamos trabalhando: Zefirelli descreve Pedro ajoelhando-se enquanto proferia a declaração em questão e, ato contínuo, os demais discípulos, tomados pelo impacto da afirmação, testemunhando sua concordância, também se ajoelham.
Não sei se foi assim mesmo que aconteceu, porém, indubitavelmente, é a cena que mais se coaduna com a profundidade do que foi dito.
Jesus é mais que um profeta a ser ouvido; mais que um mestre a ser seguido; é Deus a ser adorado. Esse é o conhecimento-experiência, acerca de Jesus, que dá vida eterna (Jo 17.3).
Quem o conhece Jesus o adora, não pelo que ele faz, mas, pelo que ele é.
Esse é Jesus que precisa ser anunciado, por que é esse tipo de conhecimento-experiência com Cristo que salva.
O que é anunciar Jesus?
A primeira vista, essa é pergunta de resposta simples: é contar a experiência que tivemos, o que ela produziu em nós e, então, convidar nosso interlocutor a ter a mesma experiência.
Seria simples se não fosse At 1.8:
mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.
Responda-me, por que razão, alguém precisaria de poder especial para ter condições de dar testemunho de Jesus Cristo? O jovem, que citamos no começo, liberto da cegueira, por exemplo, não precisou de poder especial para contar o que lhe tinha acontecido, quem tinha feito e como o tinha feito.
Por que nós o precisaríamos?
Porque a Igreja não tem apenas uma mensagem para anunciar, tem uma mensagem para demonstrar:
Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus (Mt 5.16), disse Jesus.
Acho que Jesus de Nazaré foi o primeiro ser humano a trabalhar com o conceito de multimídia, pois, ele queria e quer que ao mesmo tempo que a gente esteja falando dele, a pessoa que nos ouve o esteja observando em nossas vidas, assim como, esteja sentindo no seu coração o calor que as palavras de Cristo produzem, como foi com os discípulos a caminho de Emaús.
Ele quer que a vida, o jeito e os atos da gente sejam as primeiras provas de que ele é quem diz ser.
Para isso é preciso poder , e não pouco: é preciso poder do Espírito Santo.
Anunciar Jesus Cristo é comunicá-lo por vida, palavras e obras.
Qual é expressão prática disso?
É simples:
Primeiro, Missão – a igreja reagindo às demandas que Deus tem para a sociedade.
Mc 6:
7 Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos.
8 Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro;
9 que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas.
10 E recomendou-lhes: Quando entrardes nalguma casa, permanecei aí até vos retirardes do lugar.
11 Se nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao sairdes dali, sacudi o pó dos pés, em testemunho contra eles.
12 Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse;
13 expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo.
Quando a igreja sai em missão, segundo o chamado de Jesus Cristo, ela tem algo a mostrar:
O poder que expulsa os espíritos imundos e que liberta os homens.
Tem, também, algo a anunciar: a mensagem que gera o arrependimento e a fé salvadora.
Só a Igreja pode fazer isso.
Sair em missão é sair para enfrentar o mal em todas as suas manifestações: ignorância; opressão espiritual, física e/ou sócio-econômico-política; injustiça; etc.
Para ser eficaz, a igreja deve atentar para a orientação de Jesus Cristo:
Fazê-lo de modo orquestrado a partir da comunidade, tem de haver quem envie, quem estabeleça os parâmetros, quem forneça os meios e quem os receba de volta (Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos.).
Dependência completa de Deus (nem pão, nem alforje, nem sandálias, nem túnica extra);
Desvinculamento da pretensa segurança do mundo (nem dinheiro);
Contextualizar-se ao que a graça comum já operou na sociedade beneficiária do esforço missionário (quando entrardes nalguma casa, permanecei aí até vos retirardes do lugar)[2].
Remissão de toda a glória para Deus (ungindo-os com óleo)[3].
Segundo, Missão – a igreja reagindo às demandas que a sociedade leva a Deus.
Lc 9:
10 Ao regressarem, os apóstolos relataram a Jesus tudo o que tinham feito. E, levando-os consigo, retirou-se à parte para uma cidade chamada Betsaida.
11 Mas as multidões, ao saberem, seguiram-no. Acolhendo-as, falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura.
12 Mas o dia começava a declinar. Então, se aproximaram os doze e lhe disseram: Despede a multidão, para que, indo às aldeias e campos circunvizinhos, se hospedem e achem alimento; pois estamos aqui em lugar deserto.
13 Ele, porém, lhes disse: Dai-lhes vós mesmos de comer. Responderam eles: Não temos mais que cinco pães e dois peixes, salvo se nós mesmos formos comprar comida para todo este povo.
14 Porque estavam ali cerca de cinco mil homens. Então, disse aos seus discípulos: Fazei-os sentar-se em grupos de cinqüenta.
15 Eles atenderam, acomodando a todos.
16 E, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos para o céu, os abençoou, partiu e deu aos discípulos para que os distribuíssem entre o povo.
17 Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que ainda sobejaram foram recolhidos doze cestos.
Missão. A igreja reagindo às demandas da sociedade. A igreja, para mostrar o que tem, a exemplo de Jesus Cristo, neste trecho, deve ver-se como resposta de Deus para a sociedade.
Jesus Cristo viu-se como resposta de Deus à ignorância espiritual do povo: falava-lhes a respeito do reino de Deus.
Viu-se, também, como resposta de Deus à enfermidade do povo: socorria os que tinham necessidade de cura.
Viu-se como resposta de Deus à fome do povo: E, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos para o céu, os abençoou, partiu e deu aos discípulos para que os distribuíssem entre o povo.
Todos comeram e se fartaram.
Viu-se como resposta à desorganização e desorientação do povo: Fazei-os sentar-se em grupos de cinqüenta.
Tudo que Jesus Cristo usou para responder as demandas do povo:
A compaixão: acolhendo-as.
Cristo levou seus discípulos para descansar, encontrou as multidões esperando-o, acolheu-as, isto é, assumiu-se como resposta de Deus para a ansiedade do povo.
A igreja, de igual modo, para mostrar o amor do Pai, deve acolher a humanidade, compreendendo a sua condição de carente da glória de Deus (rm 3.23). É uma missão de salvação, não de juízo.
A palavra de Deus: falava-lhes a respeito do reino de Deus.
Carente da glória de Deus, a humanidade tem sido desviada pelos mais diversos enganos. Jesus Cristo ensinou-lhes o caminho que realmente leva a Deus. A igreja tem a resposta para a pergunta dos homens, logo, tem a responsabilidade de respondê-la para fazê-los ver o Pai que quer ser encontrado.
O poder do Espírito Santo: socorria os que tinham necessidade de cura.
Jesus Cristo tinha consciência de que os dons que recebemos são para abençoar os necessitados. A exemplo dos amigos do paralítico (mc 2)[4], a igreja tem de colocar todos os seus recursos para que a cura de Deus seja alcançada; a cura de Deus não contempla apenas o espiritual, pois, Cristo veio “não só a alma do mal salvar, também, o corpo ressuscitar”[5]. Dessa forma a igreja mostra o Pai que preocupa-se com o sofrimento humano.
Recursos do próprio povo: Não temos mais que cinco pães e dois peixes. – que um menino cedeu (jo 6.9).
Jesus deixou claro que o problema não são os recursos, há, independente da quantidade. A questão é se eles estão ou não entregues nas mãos de Cristo. Quando a igreja se dispõe a servir, sua preocupação deve ser a de colocar os recursos de que dispõe nas mãos de Deus; e, dessa forma, mostrar o Pai que distribui os recursos para o bem de todos.
O exemplo: Fazei-os sentar-se em grupos de cinqüenta.
Ao dar essa ordem, o Senhor tratou de duas questões: em primeiro lugar criou caminho para que o pão chegasse a todos. Sem que as pessoas fossem dispostas dessa maneira , como os discípulos conseguiriam alcançar a todos com o alimento? Lembre-se, eram cinco mil homens, acrescente mulheres e crianças...é provável que cheguemos a cerca de doze mil pessoas.
Em segundo lugar, Jesus promoveu uma nova forma de organização do povo: quando ele chegou em Betsaida encontrou uma multidão de pessoas se acotovelando; ao propor essa organização, Jesus estava transformando esse amontoado de pessoas numa reunião de cerca de duzentos e quarenta comunidades, compostas de cinqüenta pessoas cada. Além do mais levou-as ao status de companheiros, pois, a palavra companheiros significa aqueles que compartilham do mesmo pão. Essa disposição tinha, em si, um ensino: só em comunidade todas as pessoas podem ser alcançadas e alimentadas.
A igreja, não só deve viver em comunidade, como deve ensinar a humanidade a viver assim – é na comunidade que cada sujeito constrói sua identidade – dessa maneira faz-se conhecido o Deus que está em permanente conselho[6]- o Deus Triúno.
A igreja só alcançará tal eficácia indo onde as pessoas estão, onde a história está acontecendo; envolvendo-se.
Como doze homens conseguem fazer doze mil sentarem-se, a menos que se misturem ao povo e, através do ensino e do exemplo, ministrem o senso comunitário?
A fé que se estriba na gratidão: Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre eles; e também igualmente os peixes, quanto queriam (jo 6.11).
Jesus Cristo tomou o pouco alimento que recebeu e, ao invés de pedir um milagre, agradeceu a Deus, o que nos ensina algumas verdades:
Quem sabe agradecer pelo que recebe, ainda que pareça pouco, verá a multiplicação de Deus.
Jesus Cristo confiava no caráter de Deus, porque fé é isso – crer que Deus existe e é galardoador daqueles que o buscam (Hb 11.6) – é como se Cristo dissesse:- “se foi isso o que Deus mandou é porque, com isso, vai dar para fazer uma festa.”
A igreja precisa demonstrar pela gratidão o Deus galardoador dos que o buscam. E pelo compartilhamento o Deus abençoador e solidário.
Com tais práticas a igreja produz obras que não podem ser explicadas a não ser como fruto da ação divina.
Onde temos de anunciar Jesus:
tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da Terra.
Ou seja, em todo o lugar do mundo.
Quando: tanto, como.
Ou seja, agora e ao mesmo tempo.
Missão é assim:
quem não é chamado a atravessar fronteiras, é chamado a anunciar em sua Jerusalém.
quem não chamado a ir para além fronteiras é chamado a enviar missionários, que significa interceder por eles e sustentá-los financeira e emocionalmente.
E isso irmãos, conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor e anunciemo-lo a tempo e fora de tempo.
Ariovaldo Ramos
Terça-feira, 20 de Maio de 2008
Espiritualidade Platônica

“Todos nossos esforços estão hoje voltados para produzir um único fruto: mais prosélitos em nossos templos”
Fui visitar a cadeia de adolescentes da cidade onde moro. Sei que não se chama cadeia, e que tal estabelecimento não deveria se parecer nem de longe com uma – mas é uma cadeia, sim, com todas as mazelas que isso significa: celas cheias e imundas, confinamento integral, violência, promiscuidade, falta de opções de aprendizado ou reconstrução pessoal. De um lugar destes, não se volta. O corpo sai, ao fim da pena estabelecida; mas a alma do interno fica lá, presa com outros jovens franzinos, sedenta de ar e respostas. Choca saber que grande parte dos meninos que ali estão vieram de famílias evangélicas. Dentro das celas, há indícios da fé um dia aprendida – paredes pichadas com frases como “Jesus salva” ostentam também os mais repulsivos palavrões.
O que aconteceu com o poder do nosso Evangelho? Há algo de podre no reino da Dinamarca. A verdade de Cristo parece não estar resolvendo muita coisa numa cidade em que pelo menos 40% da população confessa-se evangélica. Mas será que a verdade chegou integralmente até ali? Será que a mensagem da verdade, que é o próprio Cristo, foi entendida e vivida pelos cristãos e transmitida de maneira clara? Temos que crer que o problema não está na mensagem, cujo DNA é do nosso Deus Criador e Todo-poderoso. O problema tem que estar nos filtros que usamos para perceber e transmitir essa mensagem.
O poder transformador do Evangelho é proporcional à integridade com que sua mensagem original é mantida. Se alguém observasse a Europa pré-Reforma, com suas pestilências, guerras, sociedade hierarquizada ao extremo e cidadãos mergulhados nas trevas da ignorância, diria que a mensagem cristã também ali era inefetiva, já que a população do continente era primordialmente cristãos. No entanto, assim que a mensagem foi clareada, ou seja, assim que houve um retorno a princípios básicos antes ignorados, a transformação foi imediata. Lutero, Calvino, Zwinglio e outros reformadores pregaram o Evangelho do homem todo e da sociedade toda – o Evangelho da redenção social e individual. A influência desta teologia gerou o desenvolvimento dos países do norte da Europa e da América anglo-saxônica, o que se faz sentir até hoje.
O Brasil cada vez mais evangélico, assim como a Europa medieval, se debate em agonia com a falta da aplicação da mensagem integral do Reino de Deus. Reduzimos a mensagem do Evangelho a um significado só – apenas a salvação importa, e esta salvação tem uma manifestação única, a conversão do indivíduo salvo às nossas denominações evangélicas. Isso torna nossa pregação extremamente proselitista. Diante dos problemas sociais graves que vemos no Brasil, temos só uma resposta: “converteremos todos à nossa religião e então teremos cumprido a vontade de Deus e o Brasil será um país melhor”.
Tentamos ser relevantes, mas nosso fruto é sempre o mesmo. Temos um sabor só, uma cor só, um fruto só: religião. Pensamos em nossa tarefa como sendo unicamente a de salvar indivíduos. Se vamos ao presídio, falamos de salvação, o que não é nada novo para os que ali estão detidos, se vamos à TV, falamos de salvação, como se o telespectador já não soubesse decor e salteado o que lhe apresentamos; se vamos ao Congresso, achamos que ao colocar a Bíblia na tribuna e evangelizar mais deputados, estaremos mudando a sociedade. Mas usamos dinheiro público para construir catedrais e beneficiamos os crentes com leis circunstanciais e oportunistas. Se fazemos trabalho social, pensamos, na maior parte das vezes, em “converter” mais pessoas. Todos nossos esforços estão voltados para produzir um único fruto: mais prosélitos em nossos templos.
O problema é que usamos o óculos grego para ler a Bíblia. Na cosmovisão greco-cristã, influenciada pelo platonismo, a alma e o espírito do indivíduo é a única matéria-prima possível para a ação do Espírito Santo para chegar a um produto único mais óbvio – a sua salvação deste mundo material corrupto para o perfeito mundo do espírito. Esta espiritualidade platônica acaba nos tornando mais parecidos com hinduístas do que com verdadeiros cristãos. Só que a cosmovisão hindu, que considera o mundo material absolutamente inútil e desprezível, produziu a miséria indescritível que hoje vive a Índia.
Se restaurarmos a compreensão tribal da mensagem de Deus, recuperaremos dois pilares fundamentais na visão de mundo judaico-cristã: a identidade social e a espiritualidade concreta, ou seja, a visão do ser humano como um todo, espírito e matéria. Entendemos que o grupo, assim como o indivíduo, também pode ser ou não “salvo”, refletir ou não os valores de Deus na prática social, nas leis, na forma de ser sociedade, no governo, na arte. Aí, passa a existir a dimensão sociológica do “amai-vos uns aos outros”. Temos que entender o plano de Deus para a sociedade e para todas as áreas da vida. Expressar o amor do Senhor para a sociedade a partir de nossa identidade coletiva é parte da nossa missão, tanto quanto lutar pela salvação de seus indivíduos.
Se pensássemos o cristianismo além da mera salvação, saberíamos o projeto concreto de Deus para o mundo dos negócios, para o sistema educacional, para a administração pública, para a cultura nacional. Haveriam outros frutos possíveis para nossa fé evangélica, além de igrejas cheias. Trabalharíamos com a essência divina da sociedade humana antes que ela se desintegrasse, abraçaríamos a cidade antes que nela se instalasse o caos. Se amássemos a socidade, seríamos capazes de articular nossa visão de mundo tão bem que as pessoas se apaixonariam pelo modelo social exemplificado por nós. Mostraríamos então na prática o amor incondicional e integral de Deus para todas as pessoas, independente de cor, classe social, gênero. Não guerrearíamos contra a sociedade – mas, ao contrário, nos uniríamos a ela para combater seus problemas e propor soluções. Mas por enquanto só temos produzido um único fruto: a religião, que se empobrece fria dentro de templos faraônicos.
Bráulia Inês Ribeiro
está na Amazônia há mais de 25 anos como missionária, é presidente nacional da JOCUM(Jovens Com Uma Missão) e autora do livro Chamado Radical (Editora Atos)
Artigo Publicado na Revista Eclésia



