TV Brasileira Faz sucesso entre moradores de cidade boliviana


O Felipe Massa venceu?", pergunta um. "Nada. Saiu faltando três voltas para o final". O diálogo acima seria comum numa manhã de domingo. Não na Bolívia. E os moradores de Puerto Quijarro, próximo à fronteira com Corumbá (MS), não fãs de automobilismo. Eles gostam mesmo é de acompanhar a programação da TV brasileira de cabo a rabo.

O aposentado, Juan Ortega, um dos participantes da conversa que dá início a esta reportagem, é surpreendido vendo Renato Aragão quando entramos na casa dele.

Ele não é o único que dá audiência ao veterano comediante. Em outro ponto da cidade está Lurdes Moreno, recepcionista de hotel que não perde um programa. Ela conta que passa o dia inteiro na frente da TV enquanto trabalha e gosta mesmo é do noticiário noturno - garante que não estranha ver as notícias do Brasil.

Quem também fica ligado nos telejornais brasileiros é o comerciante Franz Pocovalle. Ele considera a previsão do tempo que vem do outro lado da fronteira muito mais confiável que a boliviana.

Com quatro canais estrangeiros na TV, ele não perde uma rodada do Brasileirão. E não deixa de faturar com isso. Na loja dele, chamam atenção as toalhas de Flamengo, Botafogo, Palmeiras e muitos outros times brasileiros.

Não é preciso uma equipe especializada para constatar que a audiência do futebol verde-amarelo é altíssima do lado de cá da fronteira. Até a menina Loira Marchena, de doze anos, fica ligada quando a bola rola no domingo à tarde.

* João Peres/UOL

Comerciante Franz Pocovalle vende toalhas de times brasileiros e confia mais na previsão do tempo brasileira do que na boliviana

É fácil entender o porquê de tanto apego dos moradores de Quijarro à TV brasileira. Ainda que o gosto seja muitas vezes discutível, a qualidade da programação é infinitamente superior à da televisão boliviana.

E, além disso, os produtos nacionais tardaram a chegar. Morador antigo da cidade, Juan Ortega lembra que as emissoras brasileiras têm sinal na região há 25 anos, ao passo que os canais bolivianos chegaram há menos de uma década.

Tanta convivência, é claro, acaba influenciando também a língua. O castelhano continua sendo o idioma oficial, obviamente, mas os mais novos falam o português também e praticamente todos na cidade compreendem o que falamos sem muito esforço.

Pergunto para Lurdes Moreno se ela não tem medo de que o filho, ainda no berço, acabe misturando português e espanhol quando estiver um pouco mais velho. Ela acha até bom e pensa que a criança vai crescer com dois idiomas.

Antes que eu saia, o corintiano Juan Ortega aproveita para deixar claro: gosta também dos canais bolivianos. Afinal de contas, está na Bolívia.

João Peres
Especial para o UOL
Em Puerto Quijarro (Bolívia)

Fonte: UOL

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